sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Arte Neoclássica - Pintura



Etapas históricas da Pintura






Há um grande número de pintores neoclássicos, sendo que para se ter uma boa definição estilística-temporal, é possível se ater a três principais: Élisabeth-Louise Vigée-Le Brun (1755-1842) , Jacques-Louis David (1748-1825)  e Jean-Auguste Dominique Ingres (1780-1867).




Élisabeth Le Brun




Élisabeth-Louise Vigée-Le Brun, nasceu em Paris, sendo filha de um pintor, do qual recebeu sua primeira instrução. É uma das primeiras mulheres a receber respaldo como artista erudita.

Excelente retratista, chegou a ser convidada para pintar a rainha consorte Maria Antonieta da França, no Palácio de Versalhes. A rainha então comissionou Vigée-Le Brun para fazer outros retratos seus, dos seus filhos e de outros membros da família real francesa.

Neste período fica claro os aspectos na pintura de Le Brun do estilo Rococó em associação à pintura Neoclássica, sendo fácil de serem analisadas em comparação:


Élisabeth-Louise Vigée-Le Brun. Autorretrato. 1782.


  Élisabeth-Louise Vigée-Le Brun. Autorretrato com sua filha. 1789.


No autorretrato de 1782, Le Brun mantem as cores leves e frescas do rococó, e seu contraste mais característico (rosa e azul celeste), mas já prenuncia o período neoclássico através de uma composição um tanto rígida e simétrica, além de muita clareza na forma. O olhar da artista é determinado e bastante sereno, transmitindo um equilíbrio bastante controlado.

Através do autorretrato de 1789 percebemos uma composição piramidal ainda mais simétrica e organizada. A rigidez é atenuada pela simplicidade do vestuário (de clara influencia greco-romana), atestando a inserção da artista diretamente na estética neoclassicista.



Jacques-Louis David




Jacques Louis David é o principal artista do período Neoclássico. Sendo o pintor oficial da corte imperial, controlou a atividade artística francesa, pintando fatos históricos ligados à vida do imperador Napoleão.

Através da pintura de Louis David podemos perceber todas as principais características do neoclassicismos, principalmente: historicidade, baseada nos valores greco-romanos e sua pesquisa estético-visual para constituição dos cenários e vestuário nas pinturas de época; parcimônia decorativa e exclusão de elementos supérfluos para a leitura das imagens; clareza de entendimentos das cenas e personagens e; harmonia e equilíbrio composicional.
 

Jacques-Louis David. O Juramento dos Horácios. 1784.
  
O Juramento dos Horácios talvez seja a obra mais representativa do Neoclassicismo como resposta estético-ideológica. É metáfora e ilustração dos ideais da Revolução Francesa.

Esta obra de temática inspirada na história da Roma Antiga, reflete os valores estéticos da antiguidade romana, representado três irmãos jurando que lutarão pela República Romana, embora sua decisão seja contrária a de seu pai. A pintura simboliza o princípio segundo o qual o dever público, o sacrifício pessoal e o patriotismo são valores superiores à própria segurança. O pai, mesmo contrafeito, aprova a decisão de seus filhos. A pintura é muito simbólica ao propor também o encargo democrático dado a uma geração nova (filhos), superando assim o antigo regime (pai).



 Jacques-Louis David. Madame Recamier. 1800.


O retrato de Madame Recamier reúne uma série de pressupostos do estilo. A pintura é extremamente simples e despojada para um retrato aristocrático, reafirmando assim toda uma moda baseada na antiguidade. Pode ser observado no vestuário, penteado, mobiliário e acessórios a retomada sistemática da mentalidade da Grécia Antiga, reinaugurando um novo modelo de elegância.



Jacques-Louis David. Passagem dos Alpes.1801.


Jacques-Louis David, desde o primeiro encontro, ficara impressionado com o então general Napoleão Bonaparte, e quando este subiu ao trono David solicitou fazer o seu retrato. Pintou várias cenas de Napoleão, sendo o principal Passagem dos Alpes, onde o imperador monta um fogoso cavalo. Esta cena representa toda a campanha imperialista francesa, comandada por um grande líder militarista.


Dominique Ingres




Jean-Auguste Dominique Ingres foi discípulo de Jacques-Louis David, atuando na passagem do Neoclassicismo para o Romantismo, sendo considerado um dos mais importantes nomes da pintura do século XIX. As características marcantes em sua obra são: o caráter ilustrativo e literário, marcados pelo formalismo e pela linearidade; poses escultóricas, com anatomia inspiradas na estatuária grega; além de clareza, conjugada à exatidão nos contornos. 


Dominique Ingres. A banhista de Valpinçon. 1808.


Dominique Ingres. Retrato da Princesa de Broglie, 1853.


A banhista de Valpinçon, de 1808, segue o ideário neoclássico de forma quase absoluta. Reconstrói o corpo feminino seguindo a robustez e as deformações da estatuária grega do período clássico, incorporando já elementos exóticos de influência oriental (e esse gosto pelo exótico, poderia ser um prenuncio do estilo posterior, o romântico).

Já em Retrato da Princesa de Broglie, obra bem posterior, apesar da retratada possuir todo os elementos da moda romântica, o quadro é concebido seguindo o austeridade neoclássica, isso pode ser percebido pela clareza do desenho e uma ambientação equilibrada, imersa numa elegância plácida.



Outros Pintores Importantes no Neoclassicismo


Pierre-Paul Prud'honAntoine-Jean GrosJean Germain DrouaisJean-Baptiste François DesoriaKarl BriullovAndrea AppianiNiccolò Contestabile, Angelica KauffmannLeo von KlenzeThomas LawrenceJohn Hamilton MortimerBenjamin West e John Singleton Copley.



quarta-feira, 31 de julho de 2013

Arte Neoclássica

Antônio de Araújo

Introdução




O Neoclassicismo inicia-se na Europa (sendo a França responsável por sua difusão) na segunda metade do século XVIII, sendo uma resposta ao período que o antecede (Rococó). Portanto, como reação aos ideais barroquistas e monárquicos, o neoclassicismo adota como base a cultura da antiguidade ocidental, principalmente baseada na filosofia grega. Assim, todos aspectos formais para a construção da obra seguem os ensinamentos do cânone de Policleto (c. 460 e c. 420-410 a. C.) (através do Doríforo, que é a escultura padrão para a construção do corpo humano).

 Policleto de Argos. Doríforo. C.de 440 a.C.


O Neoclássico é um estilo preponderantemente apolíneo, tendo como principais características a historicidade, parcimônia de elementos decorativos, claridade, harmonia, equilíbrio e ordem.


O século XVIII na França


A França do século XVIII mantinha a divisão em três Ordens ou Estados, típica do Antigo Regime: Clero, Nobreza e Povo, cada qual sendo regido por leis próprias (privilégios). No topo hierárquico estava um rei absoluto, responsável pela justiça,  a economia, a diplomacia, a paz e a guerra.
No reinado de Luiz XVI (1754-1793), através de um crescente desenvolvimento tecnológico, houve uma ascensão econômica da burguesia paralela a um sensível afrouxamento das leis a favor do povo (Terceiro Estado). Esse contexto contrariou o clero e a nobreza, ao mesmo tempo em que não contornou o problema da grande desigualdade social. Nesse contexto, foi impossível conter a Revolução Francesa, sendo 1789, didaticamente, o ano inicial do período Neoclássico.
O Neoclassicismo é uma resposta ao período anterior, adotando os ideais greco-romanos como modelo de justiça e racionalidade a ser seguido.  

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Curso de Desenho de Observação



Conteúdo Programático

Antônio de Araújo







O curso busca desenvolver a acuidade visual e o domínio das técnicas básicas do desenho, objetivando fornecer meios para o exercício das artes plásticas bidimensionais.


Principais tópicos apresentados:

1. História do desenho no Ocidente.
1.1. Natureza-morta.
1.2. Paisagem.
1.3. Figura humana.
2. Apresentação de materiais básicos para o desenho grafite s/papel.
2.1. Papelaria básica.
2.2. Conservação.
3. Construção linear.
3.1. Formas geométricas básicas.
4. Proporção.
5. Composição.
5.1. Regras acadêmicas.
5.2. Recursos expressivos.
6. Luz e sombra
6.1. Variação de tons
6.2. Contraste
7. Textura
8. Perspectiva
8.1. Perspectiva linear
8.1. Perspectiva aérea


Contato:
Antônio de Araújo
Rua Perimetral, 152/ap.104, bairro Calafate, Belo Horizonte/MG CEP 30410-650
tel: (31) 9245 5703
e-mail: araujo@japan.com

sábado, 13 de julho de 2013

Tinta - Têmpera

Componentes da Tinta

Antônio de Araújo

A têmpera se constitui numa técnica de pintura em que a tinta usada tem como aglutinante a gema e/ou a clara de ovos. Normalmente, uma tinta é composta por: Corante, solvente e aglutinante. Assim:

Corantes: Corante é um elemento ou substância química responsável pela cor, podendo ser um pigmento ou uma anilina.
Enquanto os pigmentos são conseguidos diretamente de minerais (ex: azul cobalto, branco de zinco etc) e produzem cores mais estáveis, as anilinas são extraídas de seres vivos (ex: nanquim, suco de beterraba etc) e têm uma durabilidade mais curta.

Solvente: Solvente é a substância, preferencialmente incolor, responsável pela maior fluidez da tinta. (Ex: água, álcool, terebentina etc).

Aglutinante: Aglutinante é o responsável pela fixação da tinta em uma superfície. (Ex: gema de ovos, óleo de alho, óleo de linhaça etc).


História e Uso da Têmpera


Sandro Botticelli. Madonna com Romã ou Madonna e Menino com Sete Anjos. 143,5 cm de diâmetro. Têmpera sobre madeira. 1487.


O uso da pintura a têmpera é algo antigo na arte ocidental, sendo muito usada no final da Idade Média na Europa (séculos XIV e XV). É uma tinta de secagem rápida que, quando composta por uma quantidade menor de aglutinante, produz tons bastante intensos. A partir do século XVI a têmpera vai sendo substituída rapidamente pela tinta a óleo.
Atualmente, usa-se a tinta têmpera pela sua rapidez na secagem e por ser uma tinta atóxica e antialérgica.


Receita de Têmpera



Ingredientes:

1 clara ou uma gema de ovo (sem película).
1 colher de sopa de água.
1 colher de sopa de pigmento em pó (Pó Xadrez).
3 gotas de óleo de cravo ou vinagre.

Preparo:

Misture o pigmento com a clara ou a gema de ovo até ficar bem homogêneo. Pingue o vinagre ou óleo de cravo (é importante como conservante). Acrescente a água (não há uma medida exata. A quantidade de água depende da consistência desejada para a tinta). Coloque em potes bem fechados após o uso.
as de ovos sem a película
*Água (quanto mais água, mais aquarelado)
*Óleo de cravo (ou vinagre)
*Pigmentos (Xadrez em pó ou líquido)
*Potes para armazenar a tinta - See more at: http://nankinn.blogspot.com.br/2009/07/no-semestre-anterior-produzi-meus.html#sthash.XTq6JFAl.dpuf
*Gemas de ovos sem a película
*Água (quanto mais água, mais aquarelado)
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quinta-feira, 11 de julho de 2013

Vanitas

Bibliografia: Vanitas


 David Bailly. Vanitas com retratode um jovem pintor. Óleo sobre madeira. 65 x 97,5 cm. 1651.



AIRES, Matias, Reflexões Sobre a Vaidade dos Homens e Cartas Sobre a Fortuna, Ed. Imprensa Nacional, IN.CM, Lxª., 1990.
ALVES OLIVEIRA, Manuel (dir.), et al., Lexicoteca. Moderna Enciclopédia Universal, Ed. Círculo de Leitores. Lxª., 1988.
BIANCONI, Piero, Bruegel, Col. Colecção de Arte Paola Malipiero. Ed. Editorial o Livro, Lxª., 1979.
BREUILLE, Jean-Philippe (dir.); CHASTEL, André (pref.); ANKER, Valentina, et al., Dictionnaire des Courants Picturaux. Tendences, Mouvements, Écoles, Genres, du Moyen Âge à nos Jours, col. Essentiels, Ed. Larousse, Paris, 1990.
BRION, Marcel, L'Art Fantastique, Col. Marabout Université, Ed. Editions Albin Michel, Viviers e Paris, 1968.
CHEVALIER, Jean e GHEERBRANT, Alain, Dicionário dos Símbolos, Ed. Teorema, Lxª., 1994.
FATON-BOYANCÉ, Jeanne, GAUTHIER, Mayalen, BRÊME, Dominique, et al., Largillierre. Un Géant Retrouvé, Col. Dossier de L'Art, Ed. Editions Faton SA, Paris, 1998.
FOUILLOUX, Danielle, LANGOIS, Anne, et. al., Dicionário Cultural da Bíblia, Ed. Publicações Dom Quixote, Lxª., 1996.
GISPERT, Carlos (dir); CLARÓS, Mercè; ROVINA, Jaime, et al., A Arte Universal Através dos Grandes Museus do Mundo, Volm. 6 Museu do Prado II, volm. 12 Museu do Ermitage II, Ed. Resomnia Editores, Edição Portuguesa: Editorial Enciclopédia, Ldª, Mem Martins, 1988.
HUYGHE, René, Larousse Encyclopedia of Renaissance and Baroque Art, Ed. Paul Hamlyn, Librairie Larousse, Paris, 1968.
JULIEN, Nadia, Dicionário dos Símbolos, Ed. Editora Rideel, Ltdª., S. Paulo, 1993.
LANINI, Karine, Dire la vanité à l'âge classique. Paradoxes d'un discours, París, Ed.: Honoré Champion, 2006
LUCIE-SMITH, Edward, Dicionário de Termos de Arte, Ed. Publicações Dom Quixote, Lxª., 1995.
PANOFSKY, Erwin; KLIBANSKY, Raymond; e SAXL, Fritz, Saturno y la Melancolia, Estudios de historia de la filosofia de la naturaleza, la religion y el arte, Ed. Alianza Editorial, Madrid, 1991.
READ, Herbert, Dicionário da Arte e dos Artistas, Col. Lexis, Ed. Edições 70, Lxª., 1990.
REINHARDT, Hans, Holbein, Ed. Éditions Hypérion, Paris, 1938.
REVILLA, Federico, Diccionário de Iconografia, Ed. Editiones Cátedra, Madrid, 1990.
RUGGERI, Ugo, Dürer, Col. Colecção de Arte Paola Malipiero Ed. Editorial o Livro, Lxª., 1979.
SCHNEIDER, Norbert, Les Natures Mortes, Réalité et Symbolique des Choses, Cap. 6 "Les Vanités" (págs 76 a 87), Ed. Benedikt Taschen, Köln, 1991.
TRIADÓ TUR, Juan Rámon (coord.), VIÑALS, Jaime (dir. edit.) ALONSO, Alberto (dir. art.), et al., Tesouros Artísticos do Mundo, volm. VII, Deuses, Reis, e Burgueses. O Período Barroco, Ed. Ediclube, Edição e Promoção do Livro, Ldª., Amadora, 1992.
VILLENEUVE, Roland, La Beauté du Diable, Ed. Berger Levrault, Paris, 1993.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Vanitas

Vanitas: um estudo sobre a brevidade da vida.


Antônio de Araújo

As Vanitas, nas artes visuais, são representações, geralmente pictóricas que, de forma simbólica, buscam expressar a brevidade da vida. Podemos assim dizer que as pinturas de Vanitas são obras conceitualmente alegóricas em forma de natureza-morta (pinturas, onde o motivo principal são flores frutas e/ou objetos).
A palavra latina vanitas pode ser traduzida por vaidade, por algo efêmero e sedutor. Esse tipo de pintura, portanto, busca ser um motivo de reflexão sobre a fugacidade da existência humana. Seguindo as normas da natureza-morta, essas pinturas se restringem a objetos inanimados, mas no caso específico das Vanitas, todos os elementos representados possuem o sentido de dissertar sobre a brevidade da vida e a presença da morte prevalecendo sobre as experiências materiais.
Esse subgênero da pintura desenvolveu-se bastante a partir do séc. XVII, principalmente nos Paises Baixos. Destacam-se os pintores: Pieter Claesz, Pieter Boel, Philippe de Champaigne, Harmen Steenwijk, Jacob de Gheyn, David Bailly entre outros.


Pieter Claesz. Vanitas. Oléo sobre madeira. 39,5 x 56 cm. 1630.



Harmen Steenwijk. Natureza-morta com crânio e cachimbo. Óleo sobre tela. 20 x 26 cm. C.1650.


Jacob de Gheyn. Vanitas. Dimensão não especificada. 1630.




Philippe de Champaigne. Vanitas com tulipa, crânio e ampulheta. Óléo sobre painel. 28 x 37 cm. C. 1650.


Pieter Boel. Vanitas. Óléo sobre tela. 207 x 260 cm. 1663.



Para a interpretação "correta" de uma Vanitas é necessário ter conhecimento sobre os objetos representados e seu simbolismo no período em que a obra foi produzida. O certo é que nunca essas obras se restringem somente a um estudo de composição, luz, textura etc (que poderiam ser objetivos principal de uma natureza-morta convencional). 
Normalmente as Vanitas fazem referência aos cinco sentidos, e em sua degradação. São entranhados então várias elementos visuais para a montagem de um texto subjetivo (Ex: flores vivas e/ou murchas: olfato; frutas frescas e/ou apodrecidas: paladar; crânio: tato; instrumentos musicais novos e/ou estragados: audição; vela acesa e/ou apagada: visão). Vários outros elementos foram incorporados e resignificados por diferentes artistas e em períodos e locais diversos.